Texto do Dia
Para reflexão.....
QUANDO VAI SER O PRÓXIMO?
A cada nova crise nos aeroportos, a cada novo movimento dos controladores, a cada derrapada de avião, a cada pane no sistema de rádio ou nos radares, uns sempre diziam e outros sempre pensavam: "Quando vai ser o próximo acidente?"
Foi nesta terça-feira, menos de dez meses depois da queda do Boeing da Gol que se chocou com o jato Legacy nos céus de Mato Grosso, matando 154 pessoas e implodindo a credibilidade do sistema aéreo no Brasil. Até hoje, era o maior acidente da história da aviação brasileira. Não é mais.
No Airbus da TAM que explodiu no coração de São Paulo, havia quase 180 pessoas. Além delas, morreram também ainda incontáveis pessoas em solo, com as vítimas sendo recolhidas uma a uma em meio a um inferno de chamas.
O controle de aproximação autorizou o pouso, o avião tocou o solo e não parou. Ultrapassou a pista e se lançou sobre uma avenida até explodir no choque com um depósito da própria TAM, deixando a impressão nos experts de que o pouso foi além do "ponto de toque" e não houve pista suficiente para parar. O piloto teria, então, tentado arremeter (subir novamente), sem sucesso.
As circunstâncias eram todas desfavoráveis: chovia, a pista estava escorregadia, a reforma mal (em duplo sentido) terminou e, afinal das contas, não pode ser pura coincidência que o maior acidente da história acontecer exatamente em Congonhas, no dia seguinte à derrapagem de um pequeno avião da Pantanal. É o aeroporto mais congestionado do país, há décadas se sabe que é inviável e os relatórios oficiais já acendiam o sinal amarelo havia meses. Qualquer um sabe disso, no governo civil, na Aeronáutica, na Infraero, na Anac, nas companhias. Mas ficaram todos esperando ocorrer o pior. Ocorreu.
Resultado: em Brasília, o clima é de total empurra-empurra. O ministro da Defesa, Waldir Pires, estava justamente numa audiência com Lula para discutir o orçamento da Força Aérea, mas, como sempre, foi o último a saber do acidente. Já em casa, teve de voltar ao Planalto. A Aeronáutica diz que não tem nada a ver, porque desta vez o controle de tráfego aéreo não tem nenhuma responsabilidade. E joga a culpa na Infraero, que cuida da infra-estrutura dos aeroportos, e na Anac, a agência civil que substituiu o antigo DAC e que não tem força --talvez nem vontade-- de enfrentar as companhias para de fato regulamentar o setor e definir a malha aérea brasileira.
Como ficam sob o foco também as próprias companhias, por não aceitarem abrir mão da concentração de vôos em Congonhas, que consegue ser ao mesmo tempo um aeroporto condenado e o aeroporto mais congestionado do país. É o típico caso em que o dinheiro fala mais alto do que a segurança.
O que explodiu hoje não foi só o Airbus da TAM. Foi também o resquício de credibilidade que ainda sobrava do sistema de vôo no país e a capacidade de o governo, no seu conjunto de órgãos responsáveis, gerir a situação O que há é o caos. Junto com a dor, a perplexidade e a sensação de que não tem mais conserto.
Desculpe, mas o que todo mundo agora se pergunta é: "Quando vai ser o próximo?"
Autora do texto: Eliane Cantanhêde
...
Ganância + Falta de bom senso = Tragédia
Acabo de ver o Jornal Nacional, da "Toda-Poderosa". Bonner dá a notícia que eu já sabia desde cedo: a aeronave da TAM, prefixo MBK (Mike-Bravo-Kilo) teria um problema técnico e voava com um dos reversos bloqueado.
Tinha recebido essa informação hj à tarde: alguns pilotos da TAM comentavam que esta aeronave estava, já há algum tempo, voando com o reverso bloqueado/inoperante.
PENSE 1: Se o objetivo do reverso é ajudar a diminuir a velocidade do avião, prá que fazê-lo pousar em CGH (Congonhas), reconhecidamente um aeroporto de pista curta??? Nem com o tal de Groove esse avião iria parar....Falta de bom senso...
Veja abaixo, uma simulação de como foi esse acidente...
Clique aqui!!!
Na Band, vi o Datena fazer campanha pelo fechamento imediato do aeroporto. Também falta bom senso ao expoente máximo do jornalismo sensacionalista...
Meu bom senso diz que bastaria fechar as pistas para pousos assim que começasse a chover.
Ou, até mesmo, proibir as operações de aeronaves como os Boeing e os Airbus.
PENSE 2: Prá que isso??? Essas aeronaves sempre pousaram tranqüilamente em CGH, desde que a pista estivesse seca...
Segundo o procurador da República, Márcio Araújo, Congonhas é uma “caixa-preta”.
Abaixo mais alegações de Márcio Araújo (O Datena deve estar feliz...):
“A Infraero fez um prédio luxuoso ali. Está presa para tomar qualquer medida que desvalorize o local. Todo mundo quer se preservar e espera que a crise passe o mais rápido possível.”
“O Ministério Público quer que se tome uma decisão e se assuma que nada foi feito no país para se ter um aeroporto como esse.”
“O primeiro passo é reconhecer as limitações de Congonhas. Empresas e órgãos públicos têm que ter humildade para reconhecer que o aeroporto tem uma capacidade limitada, menor do que se coloca hoje.”
Realmente, tudo começou errado...
O Governo Federal fez de tudo prá fazer com a Varig o que a própria Varig fez com a extinta Panair.
Tá certo...Muita gente roubava a Varig, fazendo com que o prejuízo fosse cada vez maior.
O "espaço" deixado pela Varig foi gananciosamente disputado pela TAM e GOL tal urubus na carniça.
Embelezaram Congonhas....Deram conforto, mas esqueceram da segurança aeronáutica..E, agora, querem fecha-lo...
É a mesma coisa de sempre: querem um culpado...Só não pode ser um culpado qualquer...Não pode ser a Infraero, nem o Governo Federal e nem a TAM...
Vão encerrar as investigações colocando a culpa na única pessoa que tentou fazer algo: Ele tentou arremeter, o motor estolou e, mesmo assim, conseguiu passar voando pela avenida que margeia a pista.
Ninguém pensa no contrário: E se ele mantém o "pé no freio" até o fim da pista??? Teria se esburrachado na mesma avenida, arrastado um monte de carros que passavam pelo local e iria terminar no mesmo lugar: no prédio da TAM Express.
O Fokker 100 da TAM (prefixo MRK) caiu há mais de 10 anos. Quem foi o culpado??? Sabe-se que o acidente foi causado por falha de um dos reversos, durante a decolagem.
Visite: Jorge Tadeu 7
Corro na sala e ainda pego o Bonner entrevistando um cara da TAM. Lembro que, logo após o acidente, o Exmo. Sr. Presidente da República Federativa do Brasil (vaias prele ! ! ! ) Luiz Ignácio LulaVaia da Silva, convoca uma reunião em Brasília.
PENSE 3: Quem me garante que não havia alguém defendendo os interesses da TAM nessa reunião??? Imaginem a cena:
- "Esse avião caiu e é a maior tragédia aeronáutica do Brasil. Temos que dar um jeito nisso..."
- "E o pior: essa aeronave tava com problemas, Exa....Realmente, temos que dar um jeito..."
- "Vamos ter que culpar o piloto - não podem culpar a pista - inventa que ele veio muito rápido pro pouso ou que pousou fora do local adequado ou, ainda, que ele não tinha nada que arremeter.
Já sei o resultado: SE culparem alguém, será um inocente qualquer...... SE, repito, culparem alguém...
Já sei o resultado 2: Começa agora a mesma batalha judicial de sempre: a TAM é a culpada e não quer pagar as indenizações...
Fica somente a dor dos parentes, o prejuízo do dono do posto, o medo em quem voa (ou tem parentes/amigos que voam...) e a certeza de que, mais uma vez, não vai dar em nada.
Uma sugestão: tá na hora de banir a letra K (de killer) do dicionário aeronáutico:
PP-VJK: Boeing 707 da Varig que caiu em Abidjan, Costa do Marfim.
PP-SRK: Boeing 727 da Vasp que caiu no Ceará.
PP-VMK: Boeing 737 da Varig que caiu em São José do Xingu/MT.
PP-MRK: Fokker 100 da TAM que caiu em Congonhas, logo após a decolagem.
PP-MBK: Airbus da TAM que caiu em Congonhas, no pouso.
Forte abraço!

<< Home